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Carlos Almeida: “O Estado do Amazonas nunca será refém de nenhuma empresa”

Entrevistar o vice-governador Carlos Alberto Almeida Filho é difícil, porque, se o entrevistador deixar e não interromper ele fala horas a fim, sem interrupção, sobre determinado assunto. Mas nessa longa conversa, ele revela um raio-x sobre o  governo Wilson Lima, lembrando que a máquina administrativa encontrada em janeiro de 2019, pode ser comparada a cachorro de raça. Um labrador ou um golden retriever.

—  Maravilhsosos, mas o problema é que está com sarna, está com verme, carrapato e tudo quanto é troço, e até a gente colocar o cachorro vistoso de novo, precisa fazer todo o tratamento interno e isso demora para dar resultado –, compara.

Calos Alberto garante que até aqui, o governo só vem tentando arrumar o que encontrou,  sanear e azeitar a máquina, para começar, de fato, a colocar suas ações em prática a partir do ano que vem.  tarefa gigantesca, se  for levado em conta o nó da saúde, onde o Estado tem um gasto efetivo de R$ 3.5 bilhões num orçamento de R$15.8 bilhões.

— O Estado do Amazonas é o Estado que mais gasta com saúde do Brasil, proporcionalmente, falando. O mínimo constitucional é de 12% e o Estado do Amazonas gasta 23% e há razões para isso – analisa o vice. Não é à toa que o governo trabalha para acabar com a terceirização no sistema de saúde.

Além disso, dos 15.8 bilhões que o Executivo tem para o seu orçamento, cerca de 60% está comprometido com pessoal. Confira a entrevista:

Blog do Mário Adolfo – Qual foi o estado que o governo Wilson Lima encontrou em janeiro de 2019 e qual é Estado de hoje, oito meses depois da posse?

Carlos  Alberto Almeida Filho, vice-governador —  Olha só, Mário, vamos trabalhar com o que é fato para depois a gente fazer análise política. O que é fato é o seguinte: o Estado do Amazonas  vem ao longo de algumas décadas passando por sucessivas administrações sem uma análise mais técnica. Isso é fato e isso pode ser visto até no Portal da Transparência de forma mais concreta. Nós recebemos o Estado no final do ano passado e efetivamente no início de 2019 com problemas escancarados. Excesso de gasto de pessoal – o Estado já entrou com mais de 49% da Receita Corrente Líquida comprometida, o que mostra uma violação já flagrante a Lei de Responsabilidade Fiscal –, um gigantesco número de terceirizações na área da saúde, uma ausência completa de projetos para o setor primário sem nenhum projeto para execução. Nenhum projeto mais estruturante na área social, programas nulos na área de moradia, e uma ausência de controle técnico da própria burocracia. Essa última parte ela não é vista pela população. O resto dá para ser mais visto e os efeitos são provados. Um outro problema que existe é uma necessidade de uma adequação do funcionalismo público. É bom registrar que eu sou servidor público então eu falo com conhecimento de causa desse problema. Então o problema inicial é uma série de promessas feitas à população e aos servidores que ao longo desses anos não vinham sendo cumpridas. E há uma expectativa gigantesca da população que essas expectativas sejam contempladas, e o problema é que antes de nós botarmos a máquina em funcionamento, muita trava que estava emperrando a administração, precisava ser organizada.

BMA –  Como fazer para destravar a máquina que estava travada?

 Carlos Almeida – Certo dia eu estava comparando a administração, em especial a saúde que é o setor do Estado mais carcomido com um dos melhores cachorros de raça, imagina como se fosse um lindo Labrador ou um Golden Retriever, maravilhoso. Mas o problema é que está com sarna, está com verme, carrapato e tudo quanto é troço, e até a gente colocar o cachorro vistoso de novo, precisa fazer todo o tratamento interno e isso demora para dar resultado. Uma coisa é fato: do ponto crítico onde a máquina  estava mergulhando cada vez mais, nós conseguimos estancar os problemas e vamos conseguir fazer uma sobrelevação disso. E isso, obviamente, exige uma série de medidas que são impopulares e geram insatisfação, porque o estado de benécias que o Estado estava dando, prejudicava muitos e beneficiava poucos. Você pode verificar que todas as medidas mais histriônicas que aconteceram nos últimos meses, são todas ligadas a isso.

Vamos dar exemplo disso que são os fatos de organização dessa máquina: a transparência. O Portal da Transparência hoje é utilizado de forma bastante contundente. Então, os gastos estão muito bem vistos no Portal da Transparência, coisa que não havia antes. Não existe mais uma seleção específica de fornecedores a serem pagos, algo que é histórico no Estado do Amazonas e que podia ser visto. Haviam filas e filas de fornecedores que iam à Secretaria de Fazenda e isso era assintomático ano após ano, e isso não existe mais. O fato de você ter colocado uma linha de corte com relação aos gastos mensais para que se possa planejar, inclusive pagamento de retroativos.

BMA – Alguns opositores do governo dizem que a dívida encontrada não é a que foi divulgada. Como o senhor avalia isso?

Carlos Almeida –É fato, o governo recebeu mais de R$ 3 bilhões em dívidas e há uma guerra de informação com relação a isso, porque as declarações do governo passado de que não se inscreveram essas dívidas. Mas isso é claro, se eu não escrituro elas, elas não aparecem. Só que de fato não houve, sequer, o registro disso e existem pendências dívidas para tudo quanto é lado. Saúde por exemplo, quando nós recebemos o estado era de R$ 1 bilhão em dívidas com tudo quanto foi fornecedor. Dívidas que precisam ser aferidas e auditadas, mas uma coisa é que não dá é para prescindir o pagamento atual para que se possa fazer o pagamento com pretéritos. A máquina precisa funcionar e apesar de todas as contingências que nós temos, o Estado está conseguindo fazer melhora nos níveis de arrecadação. Só que essas melhoras nos níveis de arrecadação, são modestas frente aos gastos que foram realizados.

Exemplo, em nenhum Estado da federação se faz um crescimento de renda da ordem de 20% de um ano para o outro. Se você fizer uma pesquisa histórica das últimas décadas, nenhum estado do Brasil conseguiu esse recorde. Isso é impossível de se conseguir, mas a despesa com pessoal do Estado do Amazonas, cresceu 20% de um ano para o outro. Se você analisar de janeiro do ano passado, para agosto agora, chegou a crescer quase 40% o que é algo muito mais assombroso ainda. Então, do Estado que nós recebemos, estamos impondo as medidas administrativas que possam fazer as adequações para que a máquina possa rodar sem travas e isso vai implicar controle com relação aos fornecedores, controle com relação ao pessoal, planejamento orçamentário, medidas e prospecção de renda e tudo siso demanda um tempo.

BMA – Então, até aqui, o governo só fez trabalhar para sanear a máquina que, como o senhor disse, estava “emperrada” e máquina “com travas” não anda?

Carlos Almeida –O ano de 2019, como diz em Eclesiastes 3, é o ano de plantar. Então, estamos aqui planejando e fazendo todas as organizações administrativas para que nós possamos fazer as entregas que a população deseja. Só que nós não podemos entregar à população, demandas que são históricas e são importantes, sem antes fazer um trabalho de fundamentos. Exemplo, a população do Amazonas precisa de que haja uma estruturação da saúde no interior do Estado do Amazonas e isso não existe. Mas isso não é possível fazer antes de se fazer um saneamento em todos os gastos da Saúde. A Saúde possui milhares de fornecedores, nós temos para mais de 1,5 mil fornecedores para tudo quanto é coisa. É um desafio logístico enorme fazer as coisas funcionarem no Estado, na área da Saúde, e uma das coisas que pouca gente percebe é que a construção de uma unidade hospitalar é a coisa mais simples frente a todos os desafios que nós possuímos, porque o custo de manutenção de uma unidade hospitalar custa uma unidade e meia por ano. Então, por exemplo, se eu gasto R$ 10 milhões para a construção de um hospital, eu vou ter em torno de R$ 13 ou R$ 14 milhões gastos por ano no mesmo hospital. Logo, a construção de um hospital deve contemplar esse planejamento adequado. E isso deve passar por revisão contratual e o Estado do Amazonas vem fazendo isso desde o início. A gora,  onde é que começam os problemas? É quando o modelo de terceirização que é colocado como sendo algo extremamente essencial, é combatido pelo Estado. A medida que foi anunciada recente na Assembleia é um reflexo de um planejamento que o governador vem exigindo desde início do ano, que é uma medida de contenção e de austeridade. Só que existem pessoas que entendem que esse modelo ainda é eficiente, e não é. Legislativamente, desde 1990 o Estado deveria assumir o serviço de forma direta. O município por exemplo, faz isso, historicamente, e o Estado do Amazonas o faz de forma adversa. Nós não podemos ter dentro de uma unidade hospitalar, um contrato para cada especialidade médica ou cada especialidade da área médica. Você tem um contrato para médico de especialidade A, B, C, D e para cada uma de técnico de enfermagem, e auxiliar e tudo quanto é coisa.

BMA —  E quantos terceirizados existiam dentro do sistema de saúde do Amazonas?

Carlos Almeida –  Nós partimos do ano de 1990 de 15 terceirizadas para mais de 150 hoje. E isso é um volume gigantesco de coisa, Então, nós não podemos permitir que esse tipo de demanda aconteça porque quer queira, quer não, os problemas estão aí e não são de hoje. O Estado faz o pagamento para empresas que não acabam repassando aos servidores e isso vira um ciclo vicioso e que transborda em ações judiciais para tudo quanto é lado. Existem casos em que o Estado do Amazonas fez pagamento integral para a empresa e o valor integral foi bloqueado para pagamentos trabalhistas pretéritos. Você cria um ciclo vicioso que não se resolve.

BMA – Por isso o governo vai acabar com a terceirização?

Carlos Almeida –   A solução é acabar com isso. Só que isso não se faz de forma simples. Por isso nós estamos trabalhando junto com o Ministério Público do Trabalho e a PGE (Procuradoria Geral do Estado) no sentido da construção de um termo para a cessação disso, mas há muitos interesses nisso. O interesse do governador é a prestação de serviço e a preocupação com o servidor que está lá na ponta. Esse não é o interesse de outras pessoas que preferem manter o nível de terceirização, coisa que nós não queremos.

BMA – Mas existem outros custos no governo que deverão passar por mudanças, não é?

Carlos Almeida – Sim, uma outra situação tem a ver com os gastos de pessoal. O Estado do Amazonas possui cerca de 70 mil servidores ativos e 30 mil servidores inativos. Um total de 100 mil. Hoje, da renda do Estado do Amazonas, dos 15.8 bilhões que o Executivo tem para o seu orçamento, cerca de 60% estão comprometidos com pessoal e isso é assombroso. Em termos de comparação com a prestação de serviços que o Estado do Amazonas tem que fazer é exigível que se gaste 25% da renda do Estado com a Educação, é exigível que se pague no mínimo 12% com a Saúde, é exigível que se pague hoje, 2,8 % para prestações no interior. Então, 95% da renda do Estado do Amazonas, não só do Executivo, é vinculada à essas exigências,  A margem de manobra disso é extremamente pequena. Então nós precisamos ser eficientes com relação a prestação de pessoal. O governador entende que isso precisa ser saneado e jamais o Estado do Amazonas sequer fez um senso dos servidores ativos.

BMA – O Estado pretende fazer um censo para chegar a esses números reais com pessoal da máquina estatal?

Carlos Almeida –  O recadastramento começa daqui a poucas semanas, onde nós vamos ter que verificar quem são os servidores que efetivamente prestam serviço e quem são os servidores que são inexistentes. Esse modelo de recadastramento, que é feito, inclusive em parceria com o banco Bradesco já foi feito no Rio de Janeiro e está sendo feito até o presente momento e segundo dados que nós estamos recebendo de lá, em torno de 8% dos servidores, sequer compareceram, isso representa pro percentual, em torno de 8% de economia na folha, o que é colossal. Se nós seguirmos esse mesmo modelo que está lá sendo realizado, nós podemos esperar uma redução que vai fazer com que a gente passe dos atuais 53% de gastos da LRF para menos de 44%, o que é muito bom.

BMA – Em cifras, o fim da terceirização representa uma economia de quanto?

Carlos Almeida –Segundo as análises preliminares que nós temos – e essas análises ainda não são consolidadas –, em se retirando a terceirização de empresas,  isso representará  cerca de 20% de economia.

Mas, não estamos falando de empresas médicas, pois as empresas médicas, os médicos são seus próprios sócios. É diferente das demais empresas, que você tem um empresário e o RH é contratado.

BMA – Mas,  em reais, de quanto seria o montante da  economia com esses cortes?

Carlos Almeida – É justamente esse cálculo que estamos fazendo agora porque até o presente momento, Mário, essas questões ainda são ocultas pra gente. E o tratamento que estamos fazendo contempla uma análise dos últimos seis meses. Isso é importante para termos  ideia dos gastos que nós temos. Para isso, tivemos que separar inclusive o custo da judicialização que é importante e que nos impacta, inclusive orçamentariamente. Esses números devem estar sendo anunciados já na semana que vem e o próprio governador vai estar explicando os procedimentos que nós estamos aqui já desenrolando.

BMA –Mas essa política de enxugamento não passa pelo pessoal da Saúde. Existe uma confusão entre os dois segmentos,  não é isso?

Carlos Alberto – Não tem nada a ver com o pessoal  da saúde. Há uma confusão muito grande a respeito de pessoal da Saúde. O pessoal do Estado é o pessoal do Estado. Estamos falando de terceirizado de mão-de-obra, que é uma solução que o Estado criou  – entre aspas–,  que é para poder maneirar a pressão sobre gastos de pessoal que não tem resolvido. Queremos acabar com essa distorção. Para você ter uma ideia,  e isso é bem importante de colocar, há muita inverdade colocada de propósito nisso, porque existe um interesse em se manter esse modelo de escravidão do Estado. Havia uma frase que falavam muito no início do nosso governo. E isso é histórico. “O Estado é refém das empresas”. Isso não existe! Só se é refém se quiser. Nós não temos porque ser refém de empresas terceirizadas. A Lei 866 e toda a legislação estabelece princípios básicos dentre as quais a supremacia do interesse público sobre o privado e faz com que o Estado tenha que tomar medidas para poder resguardar sua própria autonomia. E o que é que nós temos nisso? Nossa preocupação é com a prestação do serviço. É por essa situação que, por exemplo, quando nós indicamos nossos níveis de arrecadação que nós precisamos trabalhar de forma transparente. Foi registrado, jamais o Estado do Amazonas foi tão transparente como agora. Quando nós iniciamos o ano, uma das primeiras providências era mostrar os níveis de arrecadação da Fazenda para mostrar qual era a preocupação do Estado nos pagamentos que ainda temos. A conta é simples, se eu tenho um limite de valores a fazer pagamentos a todas as secretarias de Estado, eu não posso dar uma de preste digitador e ficar apontando soluções que vão para além dos números que possuímos. Precisamos fazer um equilíbrio de todas as despesas que o Estado possui para caber dentro do nosso nível orçamentário.

BMA –O senhor disse que precisa acabar com essa inconsistência do pagamento das terceirizadas mas na prática isso significa o quê? Fazer uma seleção das terceirizadas que não repassam esses valores para os funcionários?

Carlos Almeida – A  extinção de todas.

BMA – O deputado Dermilson (Chagas) disse que a solução seria pagar diretamente para os funcionários. Vocês cogitam isso?

Carlos Alberto – O modelo que ele (deputado Dermilson Chagas) está falando é ingênuo. Não existe possibilidade de o Estado pagar diretamente para o funcionário. Não existe isso. O Estado do Amazonas assim como qualquer um Estado, só pode fazer isso para quem é seu pessoal ativo direto. E  só entra dentro da administração ou por concurso, ou por processo seletivo, ou através de cargos comissionados. O Estado não vai criar milhares de cargos comissionados para isso. O Estado não tem condições de fazer concurso para isso. Ainda mais que fazer concurso, gera vínculos que são indeterminados na administração.

BMA – E qual seria a solução?

Carlos Alberto – A solução que nós achamos importante é fazer uma requalificação no modelo de prestação de serviço da saúde. Perceba, a gente está falando bastante de saúde agora apesar de o Estado ter diversas outras necessidades. Porque é a Saúde quem mais consome o orçamento do Estado hoje, além de ser a  Saúde o sistema mais crítico hoje.

BMA – O que representa quanto isso?

Carlos Almeida – Estamos falando de gasto efetivo de R$ 3.5 bilhões num orçamento de 15.8. O Estado do Amazonas é o Estado que mais gasta com saúde do Brasil, proporcionalmente, falando. O mínimo constitucional é de 12% e o Estado do Amazonas gasta 23% e há razões para isso. Não é porque o Estado do Amazonas é um dos melhores na aplicação da Saúde e nós não estamos fazendo uma crítica leviana contra nós mesmos. Nós estamos apontando o seguinte: o Estado do Amazonas suporta gastos colossais na saúde por duas razões. Número 1, porque a União não faz os aportes necessários. Quem suporta a alta complexidade é o próprio Estado do Amazonas. O governador Wilson teve de ir a Brasília falar com o ministro da saúde para pedir o aumento do Teto MAC. Nós somos o penúltimo do Brasil e isso é errado. Numa medida de equidade, quem menos tem condições de gerar renda, e o Amazonas está no meio dessa berlinda. Tanto é que a guerra do governador é para que o nosso modelo de desenvolvimento do Polo Industrial e da própria Zona Franca seja algo que seja sobrelevado e não retirado como se tem feito em ataques, pois se nós temos condições difíceis de geração de renda com relação a todos os estados da Federação, então a União precisa fazer compensações com relação aos nossos próprios gastos. O Estado hoje não tem isso, o Estado suporta a carga da alta complexidade. Procedimentos neurológicos, coronarianos, nefrológicos, que são alta complexidade ficam na conta do Estado e deveriam estar na conta da União. Temos o hospital Getúlio Vargas e dificuldades para poder se manter e dificuldades onde o Estado compensa e o Estado deseja trabalhar mais, até porque o público é um só. E mais ainda, o Estado do Amazonas suporta ainda os gastos da atenção básica. Os municípios do interior não têm condições de fazer isso. Mas o governador deu um passo que nenhum outro governador fez antes. Ele destinou recursos do FTI diretamente do interior, fundo a fundo. Se você fizer uma entrevista com qualquer prefeito eles vão fazer o ateste de que ninguém jamais fez esse repasse. Esse dinheiro não fica na mão do Estado. O Estado é passado para o fundo e nós estamos agora nesse momento fazendo a solicitação de prestação de contas, afinal de contas isso tem de ser investido lá. E muitos dessas situações já começam a ter resultado, pois você verifica reforma de hospitais, aquisições de equipamentos que têm acontecido no interior, mas isso é uma situação é o resultado só vem a médio prazo.

BMA – Qual a demanda de hoje, no sistema de saúde do Amazonas?

Caros Almeida –  O maior problema que temos na saúde pública do Amazonas é suportar o peso da atenção básica na capital que possui mais de 50% da população do Estado do Amazonas e o município de Manaus não contempla nem 40% de suas obrigações. Ao contrário, já neste ano e anos passados, UBS’s já foram fechadas e nós iríamos ter a maternidade Moura Tapajós também sendo fechada, fazendo ainda uma sobrecarga às maternidades estaduais, até porque para cada posto de saúde fechado municipal, há um aumento na demanda estadual. Uma pesquisa realizada por nossos técnicos, mostra que hospitais como o 28 de Agosto recebem uma demanda de 80% de pacientes são de atenção básica e não da média e alta complexidade que deveria ser. O que faz com que o governo tenha um gasto brutal que não é seu e um gasto que não pode ser faturado, explicando, o faturamento é justamente a contabilidade dos atendimentos que são feitos e o Amazonas só pode pagar média e alta complexidade. Estamos perdendo duplamente. Qual é a situação que precisamos fazer? Precisamos reestruturar isso. Essa reestruturação parte de um modelo eu o Estado precisa otimizar esse funcionamento e isso passa pela necessidade do repensar e é daí que entendemos que o modelo de prestação direta de administração não é funcional. Exemplificando, para que uma cirurgia dê certo no 28 de Agosto, eu preciso de um médico e equipe, onde o médico é contratado através de um processo licitatório e cada equipe também, onde o instrumental depende de licitação, assim como a esterilização, ao ar condicionado, a coleta do lixo e todos os medicamentos. Tem uma orquestra de licitação que precisa funcionar ao mesmo tempo e licitações que podem e dão problemas. Nossa ideia é pelo menos substituir em maiores unidades de maior concentração e demandas, fazer a substituição para um único prestador de serviço e isso tem dado certo em outros estados.

BMA  (interrompendo) – Isso resolveria?

Carlos Almeida – A única coisa que precisamos aprimorar é a transparência . Isto é, aprimorar mecanismos de fiscalização. Melhor ter centenas de contratos ou apenas um que eu posso cobrar metas? Isso nos implica num movimento orçamentário eficiente. Isso permite ainda a terceirização que existe hoje possa ser extinta. É um modelo que vai dar resultado a médio prazo. Os gastos na saúde do jeito que estão não podem seguir.  As medidas em resumo são, requalificar as prestações de serviços extinguindo as terceirizadas, fazendo uma requalificação adequada dos prestadores de serviços com a transparência dos contratos, fazer um modelo onde nós conseguimos atribuir aos respectivos entes suas obrigações.

BMA – Na questão da educação, como o Estado está administrando diante de uma crise com a saída do secretário Luiz Castro?

Carlos Almeida – O secretário Vicente Nogueira possui um currículo conhecido por toda a população. O objetivo na educação é fazer a mudança no foco instrumental para um foco que realmente importa que é o foco educacional. Recebemos o Amazonas no penúltimo lugar no IDEB e nosso objetivo é fazer com que nós melhoremos esses índices. O secretário, sua equipe e o governo têm feito todos os alinhamentos com órgãos de controle para que sejam feitas adequações dentro da rede básica, mas os resultados só vão ser apresentados ao longo dos próximos meses com a entrada dos concursados que o secretário já declarou para que sejam substituídos os temporários.

BMA – O estado vem utilizando o projeto de segurança  do ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliane? E aquele valor (US$) astronômico, foi pago?

Carlos Almeida –   Quando assumimos o estado, esse valor já estava pago. Só que o governador sempre falou que o que nós temos na nossa corporação é que temos cabeças pensantes suficientes para que possamos aplicar uma segurança pública de qualidade e os números de redução de crimes já são vistos.  O governador tem acompanhado isso de forma dedicada e tem cobrado isso de sua equipe. E isso envolve todo o sistema de segurança. No ano passado tínhamos zero encarcerados trabalhando, e hoje temos mais de 1,2 mil trabalhando.

BMA –  Vocês têm um tempo estipulado para tirar a “sarna do cachorro” de raça?

Carlos Alberto – Final do ano. Alguns resultados temos mostrado agora como os resultados no interior. O governador tem acompanhado diretamente suas obras, são mais de 100 em andamento e isso demandou um trabalho político forte e um trabalho técnico muito contundente. Você vê um ótimo canteiro de obras acontecendo em tudo quanto é local, como o anel leste, a AM-070 acontecendo, obras estruturantes e outras.

BMA –  E a BR-319? Como estão as promessas do governo federal de asfaltar a estrada? É realidade ou ficou no discurso?

Carlos Alberto – A BR-319 como é uma rodovia federal tem exigido uma atuação extremamente contundente. O governador faz tipo uma ladainha toda vez que vai a Brasília há a cobrança não só dele no sentido de que a reintegração da 319 aconteça. Afinal de contas já está muito escancarado o interesse político extra-Amazonas de manter o isolamento que não podemos continuar.

BMA – O governo Bolsonaro tem dado sua contrapartida para o Amazonas ou fica só na falávia?

Carlos Alberto – Da mesma forma que a população é São Tomé, o  Amazonas também espera resultados para poder começar a crer, esperamos o mesmo do Governo Federal. Precisamos que os discursos se traduzem realidade, temos mais de 40 anos de discursos com relação a BR-319. Ela precisa efetivamente de uma ação contundente. Sem integração do Amazonas na política de desenvolvimento nacional, é discurso básico falar que vai haver efetivamente esse desenvolvimento. Já houve declarações bem contundentes que isso sairá, até porque o vice-presidente Mourão que é do meu partido o PRTB, ele disse que se a BR-319 não saísse ele comeria a boina dele.

BMA – A partir de quando seu grupo político  vair começar a conversar sobre um apoio a um determinado candidato a prefeito? Ou ainda é cedo?

Carlos Alberto –  Essa não é a nossa preocupação. Tanto a minha quanto a dele (Wilson Lima) é fazer com que o Estado funcione. Para isso que fomos eleitos. O Amazonas tem observado essa mudança, então não é nossa prioridade agora.

BMA –E o senhor está preparado para ser governador, caso aquele processo do Amazonino contra a coligação resulte na cassação do Wilson?

Carlos Alberto – Antes de qualquer coisa, eu sou o maior cabo eleitoral do Wilson. Eu quero muito que esse governo dê certo e funcione, sou um dos maiores admiradores dele, gosto dele pessoalmente e entendo que esse modelo que estamos trabalhando é um modelo que se faz em conjunto. Nós queremos que funcione e vamos brigar com unhas e dentes para que a velha política não faça parte da história do Amazonas.

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