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Sistema de cotas da Ufam aprova candidatos 'acreditando na boa fé' da autodeclaração


A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) aprova candidatos que buscam entrar na instituição usando o sistema de cotas apenas acreditando na "boa fé do aluno" que se autodeclara como negro, pardo, indígena -  baixa renda é necessário comprovar via documentação salarial. A explicação foi feita ao Blog do Mário Adolfo, nesta quinta-feira, 04/06, depois que vazaram na internet fotos de pessoas que ingressaram na instituição usando o sistema de cotas.

Durante toda a noite de quarta-feira, 4/6, e a madrugada de quinta-feira foram postadas na internet fotos até mesmo o número de matrículas de alunos e que se autodeclaravam em alguma das opções do sistema de cotas. São alunos de vários cursos, mas, principalmente de Direito e Medicina.

"Eu terminei meu ensino médio em 2018 e já vi muita coisa nessas cotas. Uma coisa é que a fraude da Ufam vai além das cotas raciais, as pessoas podem dizer que são renda baixa simplesmente afirmando", disse ao Blog um jovem que não quis se identificar.

Em 2018, um levantamento do jornal ‘O Estado de São Paulo’ mostrou que 72% das denúncias de fraude nas matrículas de estudantes no sistema de cotas raciais, da Região Norte, partiram de Manaus. No Brasil, 1/3 das universidades federais abriram sindicância para apurar as denúncias, a maioria já teve a matrícula indeferida, mas parte conseguiu retornar aos estudos por liminares, contrariando as decisões administrativas.

O que diz a direção

O reitor da Ufam, Sylvio Puga, se limitou a dizer "vamos apurar" e encaminhou o contato do pró-reitor David Lopes Neto. Ele explicou que, de fato, é um problema da legislação e acontece em todo o País. "A Instituição partia do pressuposto da boa fé do aluno, como todas as demais instituições que mantêm cotas. O aluno se compromete com o que ele declara", informou.

Ainda de acordo com o professor David, em 2019 houve a criação de uma banca de heteroidentificação na Universidade, um sistema de verificação de autodeclarados negros e negras para a efetivação da política de cotas raciais. "A Ufam vem apurando todos os casos denunciados por meio de comissão e comissão recursal. Dos casos denunciados na Ufam, só tem um em pendência porque a denunciada entrou com atestado médico e veio a suspensão das atividades presenciais. Mas se for comprovada a fraude, o aluno tem a matrícula cancelada", explicou David.

Mas segundo a professora Elizangela de Almeida Silva, que faz parte da comissão, por enquanto a banca só atua nos casos já denunciados, enquanto que o principal seria avaliar a situação ainda durante a fase de inscrição do candidato. "Falta um conjunto de ações, dentre elas a implantação de um sistema de cotas que acompanhe o processo desde a inscrição e matrícula. A comissão de heteroidentificação precisa participar efetivamente dos dois processos. A luta é árdua", diz a professora Zanza.

Confira a nota oficial da UFAM:

Mário Adolfo Filho

Mário Adolfo Filho

Jornalista, formado pela Universidade Federal do Amazonas. Com passagem por grandes jornais de Manaus, Prefeitura de Manaus, Câmara Municipal de Manaus e Câmara dos Deputados.