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Bi Garcia abre o jogo sobre o Festival Folclórico


O 56º Festival de Parintins, que tradicionalmente é realizado na última semana de junho, acontecerá na segunda quinzena de outubro, mais precisamente nos dias 16, 17 e 18 de outubro, por forças das medidas de contenção do coronavírus.  Ao menos, essa é a proposta enviada nesta quinta-feira, 26, pelo prefeito da ilha, Bi Garcia (PSDB), ao governador Wilson Lima. O martelo deve ser batido pelo chefe do Executivo ainda na manhã de hoje, sexta-feira, 27.

— Nunca, em 55 anos de história do boi de Parintins havia a acontecido isso. Lamentamos muito, mas não havia outro caminho, a não ser esse – comentou o prefeito, em entrevista ao Blog do Mário Adolfo, poucas horas depois da coluna Dito & Feito anunciar, em primeira mão, que o festival estava adiado.

Tomado de tristeza por ter perdido seu pai, o comerciante Francisco Garcia, 80,  na madrugada de ontem, vítima de um infarto fulminante, Bi acredita que outubro é o tempo necessários para os artistas dos bois  Garantido e Caprichoso se organizarem e concluírem o trabalho para a apresentação do boi. O prefeito tem esperanças também que até a outubro, a economia – que depois da vida das pessoas é a maior preocupação do mundo –, já tenha voltado a respirar e as instituições e empresas estejam em condições de patrocinar o boi. “Mas, essa não é a nossa  maior preocupação, porque a arrecadação de recursos para o  festival de Parintins sempre foi feita através da Lei Rouanet”, garantiu Garcia.

Confira a entrevista:

Blog do Mário AdolfoPrefeito, já é fato consumado o adiamento do 56º Festival Folclórico de Parintins?

Bi Garcia, prefeito do município de Parintins –  Na verdade enviamos um projeto ao governador (Wilson Lima) com uma proposta para adiar o festival de Parintins.  Afinal, é o governo do estado  que vem coordenando o festival há anos, a prefeitura só teve à frente do evento por dois anos.

BMA – Nesse proposta enviada ao governo, o festival será adiado para que data?

Bi Garcia – Para nós, seria bem melhor adiar a festa para a segunda quinzena de outubro, sugerindo os 16,17 e 18 de outubro para a realização desse que deverá ser o 56º Festival Folclórico de Parintins.  Esta é a atitude mais  sensata para o momento que estamos atravessando com a pandemia do coronavírus. Temos que ter consciência para seguir as normas da Organização Mundial de Saúde (OMS), para evitar aglomeração de pessoas e prevenir possíveis novos casos de infecção por Covid-19.

BMA – É a primeira vez que isso acontece na história dos bois bumbás de Parintins ou, em algum momento,  o festival já foi adiado ou cancelado?

Bi Garcia – Em 55 anos de história nunca o festival foi adiada. Este ano, infelizmente, teremos que amargar essa tristeza, mas é necessário. Até o maior São João do Brasil, o de Campinas Grande (PB) também foi adiado. A decisão foi anunciada na noite desta segunda-feira (23) pelo prefeito da cidade, Romero Rodrigues. Com a medida, o evento está previsto para acontecer entre os dias 9 de outubro e 8 de novembro deste ano.  Então, eles  realizam a festa deles  primeira quinzena de outubro e nós e nós na segunda.

BMA – Em algum momento, devido à gravidade da crise, passou pela cabeça cancelar o festival?

Bi Garcia – Isso nunca. Não seria racional porque o festival representa uma receita de R$ 80 milhões para o município, além de 15 mil empregos diretos. Nosso prejuízo seria muito grande.

BMA – Qual é a arrecadação do município de Parintins hoje?

Bi  Garcia – Nós demos uma boa melhorada.  Hoje é de R$ 202 milhões.

BMA — Essa arrecadação de R$ 220 milhões é suficiente pra a prefeitura  pagar a folha, fazer obras, administrar educação e saúde?

Bi  Garcia –  Esse é todo o orçamento municipal com os convênios que temos para 2020. É insuficiente, por isso é muito importante a realização do festival que injeta R$ 80 milhões na nossa economia e gera mais de 15 mil empregos diretos.

BMA – A maior preocupação com o surto de coronavírus é o pânico que está ocorrendo no mercado financeiro. O senhor acredita que depois desse pesadelo as instituições, empresas, que tradicionalmente patrocinam o f estival, ainda terão fôlego para investir no boi de Parintins?

Bi Garcia – Acredito que essa fase difícil vai passar e a economia voltará a respirar. A capacitação de recursos para o  festival de Parintins sempre foi feita através da Lei Rouanet, agora  rebatizada, depois das reformulações, de  Lei de Incentivo à Cultura.

BMA – Que medidas o senhor vem adotando para combater o alastramento do coronavírus?

Bi Garcia – Primeiro é preciso que se diga que aqui na ilha de Parintins não tem ninguém infectado. O empresário  (Geraldo Sávio da Silva) daqui que morreu vitimado por Covid-19 estava em um torneio de pesca em Manaus, onde contraiu a doença. A segundo pessoa infectada é a mulher dele, que se encontra em tratamento no hospital Delphina Aziz, em Manaus.  Mas até o momento não existe nenhum infectado em Parintins. O que existe aqui são pessoas em isolamento, mas nenhum caso confirmado. Agora, nós avançamos com as medidas de prevenção, pois já vínhamos trabalhando há ais de 30 dias  com a Vigilância de Saúde no porto e no aeroporto. Colocamos também  177 profissionais de saúde trabalhando diariamente na prevenção  em cinco unidades de saúde, sendo que o “Jofre Cohen” é o hospital de referência para tratamento de casos suspeitos de  coronavírus. Além disso, temos higienizado a cidade e orientando as pessoas para evitar aglomerados e decretando o fechamento de bares, restaurantes, clube e o comércio.  

Mário Adolfo

Mário Adolfo

Jornalista formado pela UA, com mais de 40 anos de experiência. Dois prêmios Esso e criador do personagem Curumim, o Último herói da Amazônia.