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Médicos Sem Fronteiras volta a atuar contra a COVID-19 no Amazonas


A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) voltou ao estado do Amazonas. O primeiro período de atuação na região ocorreu de abril a agosto deste ano, quando MSF trabalhou em Manaus, Tefé e São Gabriel da Cachoeira. A organização continuou monitorando a situação da pandemia na região e, com o aumento de casos identificado em outubro, viu a necessidade de voltar às duas cidades do interior para oferecer novamente apoio aos profissionais de saúde locais na resposta à COVID-19.

Médica e promotora de saúde de MSF atravessam o lago Tefé para oferecer treinamento à equipe de uma unidade básica de saúde situada no bairro de Abial.

Em Tefé, os treinamentos feitos anteriormente foram úteis para uma implementação rápida de medidas fundamentais no atendimento de doenças infecciosas. O fluxo dentro do hospital regional da cidade, por exemplo, foi montado rapidamente de acordo com o que já havia sido estipulado meses atrás junto a MSF. Novos treinamentos estão sendo oferecidos tanto à equipe do hospital quanto aos profissionais das unidades básicas de saúde (UBSs). Por ser uma doença nova, da qual a comunidade médica e científica ainda conhece pouco, os protocolos de tratamento para pacientes com COVID-19 são atualizados com frequência e isso significa uma necessidade de treinamentos constantes.

“Uma das dificuldades do hospital diz respeito ao abastecimento de oxigênio”, conta o coordenador do projeto de MSF em Tefé, Pierre Van Heddegem. “Como não há fábrica que possa fazer a recarga nas proximidades, os cilindros vazios precisam ser enviados até a capital do estado, Manaus. Isso faz com que a reposição do estoque de oxigênio do hospital demore até uma semana, entre o envio e a devolução dos cilindros reabastecidos”, explica. Para mitigar o problema, MSF doou 50 cilindros de oxigênio ao hospital.

Já em São Gabriel da Cachoeira, MSF se comprometeu a melhorar a infraestrutura do laboratório de análises clínicas local e criar as condições necessárias para a utilização de equipamento já existente na cidade (máquina de GenExpert) que pode ser usado para fazer a testagem PCR de pacientes com COVID-19.

“O resultado dos exames sairá em cerca de uma hora e poderá ser feito no próprio município, sem precisar enviar as amostras para Manaus, como acontece agora. No momento, as amostras só são coletadas na segunda-feira para depois serem encaminhadas à capital, o que atrapalha a testagem geral, pois esse teste só pode ser feito até o sétimo dia depois do começo dos sintomas”, explica Irene Huertas Martín, coordenadora do projeto de MSF na cidade.

Médica e promotora de saúde de MSF chegam ao bairro Abial, na cidade de Tefé, para realizar atividade de treinamento com a equipe da unidade básica de saúde local

Além disso, a equipe de MSF em São Gabriel da Cachoeira já está oferecendo suporte psicológico para profissionais de saúde e irá prover apoio técnico nas quatro UBSs da cidade.

No momento, além do estado do Amazonas, MSF trabalha em São Paulo oferecendo cuidados paliativos para pacientes que não apresentam boa resposta aos tratamento convencionais. O trabalho é realizado no hospital Tide Setúbal, na zona leste da cidade. MSF encerrou recentemente as atividades que mantinha no estado do Mato Grosso do Sul, nas regiões das cidades de Amambaí, Corumbá e Aquidauana. A resposta de MSF à COVID-19 no Brasil começou em abril e foram também realizadas atividades em Rio de Janeiro, Roraima, Mato Grosso e Goiás.

Redação BMA

Redação BMA

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