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João Bosco é recebido no teatro Manauara com flores brancas e homenagem ao irmão Tunai


Espetacular! É a palavra, sem exageros, para classificar o show que o cantor e compositor João Bosco, um dos mais consagrados nomes da MPB fez na noite de terça-feira, 28/01, no teatro Manauara dentro do projeto MPB em Movimento, da Petrobras.

Com pré-show do amazonense Nícolas Júnior, que desfilou seu repertório bem humorado, provocando gargalhada e aplausos da plateia,  Bosco entrou no palco às 21h30e . De boné preto, camisa branca de mangas enroladas e calça cinza, o artista foi surpreendido por um fã que levou um ramalhete de lírios e uma foto sua  com o irmão Tunai, também compositor, morto no domingo.

O artista agradeceu, pediu para o ajudante de palco colocar as flores na mesinha onde estava o copo de água, mas não percebeu  porque da  sensível homenagem. De imediato passou a dedilhar  “num violão que só falta falar” os acordes de “Incompatibilidade de Gênios”. Só ele, sua garganta abençoada, o violão, de pé, dessa vez sem banquinho.

O MPB em Movimento é a nova versão do já conhecido MPB Petrobras. A primeira temporada do projeto passa por recife, Salvador (BA), Natal (RN), Manaus (AM) e Fortaleza (CE).

O que João Bosco fez em Manaus foi um  show intimista, solo, acompanhado do seu violão e de muitas histórias que foi contando enquanto ia apresentando uma a uma os sucessos que conquistaram o Brasil em  seus 48 anos de carreira. Na primeira dessas histórias ele lembra o encontro com Elis Regina, quando ainda era estudante de engenharia, que gravou sua primeira música  e o revelou para o Brasil.

Apresentação no Teatro Manauara 

— Devemos nossa carreira a ela, que é responsável por tudo isso -, disse passando a cantar “Bala com Bala”, gravado pela pimentinha no álbum “Elís, de 1972. A primeira de 25 canções gravadas da dupla Bosco/ Aldir Blanc.

O show do teatro Manauara parecia até uma conversa de botequim. Em deter minado momento, o engenheiro civil Rubelmar Azevedo, que também é músico, perguntou lá do meio da  plateia:

— Bosco, você estudou engenharia de som?

— Eu deveria ter estudado engenharia de som, mas acabei fazendo engenharia civil. Mas não se preocupe porque eu não projetei nada. Fique tranquilo, nada vai desabar sobre sua cabeça! (risos).

No setlist –  lista que contém a ordem das músicas selecionadas para um concerto musical –, Bosco fez o teatro, lotado, cantar junto com, “Incompatibilidade de Gênios”, “De Frente pro Crime”, “Papel Machê”, “Jade”, “Quando o Amor Acontece”, “O Bêbado e a Equilibrista”, “Corsário”, “Sinhá (em parceria com Chico Buarque”, além de composições do mais recente álbum “Mano Que Zuera”,

lançado há dois anos.

Vinícius de Moraes e João Bosco

Tomou whisky “Odete” com Vinícius

O  compositor mineiro também contou a história de um encontro que mudaria a sua vida para sempre. O dia em que conheceu Vinícius de Moraes em uma pousada em Ouro Preto (MG), quando tinha 20 anos e cursava engenharia.

— Foi na pousada “Pouso do Chico Rey”, onde o poeta estava hospedado. Ele foi buscar uma garrafa de do uísque Older Eight , que o João Ubaldo Ribeiro (escritor) apelidou de “Odete”. Para quem tomava conhaque Presidente, o mais vagabundo (risos), aquilo foi um presente. Amanhecemos compondo um samba. Às 5h estávamos bêbados e música pronta . Chama-se 'Samba do Pouso", em homenagem ao nome da pousada.

Nesse encontro, Vinícius aconselhou o estudante a ficar em Ouro Preto que tinha uma boa energia para compor canções e depois seguir para o Rio de Janeiro e conhecer o mar. “Levei tão a sério o conselho que já de cara perdi um ano dos estudos.

Quase no final do show, Bosco foi tomar água e, pela primeira vez, percebeu a foto pregada no ramalhete de flores. Ergueu o pequeno vaso e, com os olhos marejados agradeceu:

— Obrigado pela homenagem. Aqui tem uma foto minha com o Tunai, meu irmão que partiu. Fizemos muito shows juntos, tivemos uma infância muito feliz. Ele era um grande cara... (pausa). Foi  muito bom ser seu irmão.

VEJA UM TRECHO DO SHOW:

Mário Adolfo

Mário Adolfo

Jornalista formado pela UA, com mais de 40 anos de experiência. Dois prêmios Esso e criador do personagem Curumim, o Último herói da Amazônia.