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Há 10 anos, IstoÉ alertou em matéria de capa que o Brasil deveria se preparar, porque 'vem aí a grande gripe'


Na edição de nº 1581,de janeiro do ano 2000, a revista IstoÉ já prenunciava em matéria de capa  o grande mal que nos dias de hoje vem parando o planeta e atormentando seus habitantes: “PREPARE-SE. VEM AÍ A GRANDE GRIPE”,   dizia a manchete . A edição alertava que a epidemia se espalhava por Europa, estados Unidos e vinha causando medo, mortes e deixando os hospitais superlotados. Os sintomas  eram febre alta, tosse seca, dores musculares e  dor de cabeça. Os mais vulneráveis naquela época eram  as crianças, as pessoas idosas e aquelas com  o sistema de defesa debilitado ou com problemas cardíacos respiratórios”.

Qualquer semelhança com a pandemia de coronavírus que assola o mundo em nossos dias não terá sido mera coincidência, com certeza. Como podemos observar não foi por falta de aviso.  Na mesma reportagem, assinada pelos jornalistas  João Caminoto, Osmar Freitas Jr. e Marina Caruso,  IstoÉ garantia que já estava sendo agilizado uma vacina e um arsenal de armas para enfrentar o vírus. A pergunta é: será mesmo que o país se preparou para  entender o mecanismo de evolução do  Influenza, como foi batizado o vírus causador daquela gripe de 2000?

Não foi por falta de aviso

Entretanto, já naquela época, há 10 anos, a reportagem avisava que aquela “nova gripe” se mostrava  mais poderosa do que as antecessoras. “As pessoas amargam  pelo menos dois dias de cama e, para aqueles que precisam ser  hospitalizados, a recuperação é bem mais lenta”, dizia matéria. Como se vê, em 2020, a “gripe”, que evoluiu para o coronavírus, ganhou o nome de Covid-19 e foi classificada como pandemia,  se tornou mais poderosa inda. Hoje,  os infectados necessitavam ficar em quarentena para se recuperar e não espalhar o vírus.

O responsável pelo estrago – o vírus Influenza A/Sydney/5/97, do tipo A, do subtipo H3N2, ganhou esse nome por ter sido  identificado em 1997 em Sydney, na Austrália. Daí a gripe ter recebido o apelido de “australiano”.  A revista também advertiu na época que o vírus não era totalmente novo. “É fácil entender por quê – explicou a IstoÉ. “O Influenza sofre mutações rapidamente. Ele pode ser do tipo ou B (responsáveis pela infecção em humanos) e, devido à sua constante mutação, apresenta vários subtipos – H1N1, H2N2, H2N3 e outros.

O verdadeiro bug, diz a reportagem

Agora, leitores, atenção para o alerta que a matéria   fez  naquela edição de janeiro de 2000: “O vírus que está atacando agora com  tanta ferocidade já circula no Norte e no Sul do planeta – inclusive o Brasil – desde 1997 sem ter causado maiores problemas. Mas em algum momento de sua trajetória ele sofre uma mudança maior ao mesmo tempo.  Logo,    os países foram avisados, sim.

Em janeiro, o país do carnaval já tomara conhecimento de que a doença se espalhava com “assustadora ferocidade”,  pelo Hemisfério Norte e temia-se que  a situação se agravasse. As notícias que chegavam davam conta que, na França, a epidemia já atingira  ao menos 2 milhões de pessoas. Na Holanda, havia regiões onde metade dos habitantes estava gripada. Na Espanha houve um aumento de 30%nos casos da gripe em relação ao ano passado. Autoridades italianas  calculavam que 2 milhões de pessoas já havia contraído a doença e receavam que ocorreriam mais de 20 mil mortes. Na Inglaterra, o quadro também era desolador. A estimativa era de que  77% dos lares britânicos haviam sido atingidos.

Um parágrafo da matéria não poderia ser mais atual. Sem tirar uma vírgula, é como se estivéssemos lendo uma narrativa dos dias de hoje. “Por conta de tanta gente nocauteada  pela grupe, hospitais estão abarrotas e cirurgia são canceladas – seja porque o paciente não tem condições de ser operado ou os leitos estão reservados para atender às vitimas da epidemia”.

A poderoso vírus Influenza de 2000 e a coronavirus (Covid-19) não  foram as maiores epidemias que mundo enfrentou e enfrenta no momento. Uma pandemia mais devastadora marcou a história da gripe no século passado.  A mais arrasadora ocorreu  de 1918 a 1920, matou mais de  20 milhões de pessoas e foi chamada de “gripe espanhola”, por casa do local onde o vírus foi identificado pela primeira vez.

Revistas da época contam que, no o Brasil, o cenário se alastrou com força após o navio Demerara, vindo da Europa, deixar passageiros em diferentes cidades do país infectados pelo vírus influenza. Muitos não sabiam que estavam doentes e ajudaram a propagar a pandemia. Inclusive, o presidente eleito do país Rodrigues Alves faleceu por conta do grave problema. Para nosso desespero, é  tudo muito parecido com o que estamos vivendo hoje.

Mário Adolfo

Mário Adolfo

Jornalista formado pela UA, com mais de 40 anos de experiência. Dois prêmios Esso e criador do personagem Curumim, o Último herói da Amazônia.