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Estilo Amazonino: O ‘produto’ mais fácil de ser trabalhado


O ex-governador e atual candidato ao quarto mandato, Amazonino Mendes (PDT), talvez seja o político mais fácil que os marqueteiros já encontraram para “vender” a imagem. Seu nome é a derivação do nome de seu estado. A abreviatura de nome e sobrenome é a sigla do Estado: AM. O prato é cheio e o Blog faz um resgate histórico de Amazonino.

Para completar, Amazonino nasceu em um seringal do Juruá, de onde herdou a cor da pele dos caboclos do Amazonas, o cabelo desgrenhado e a alma do ribeirinho que espera o início da piracema para, só aí, pegar a canoa e sair recolhendo o peixe. Como faz nas campanhas políticas.

Talvez, hoje, Amazonino obedeça aos marqueteiros que planejam suas campanhas. Mas, no passado, não era bem assim. Quando mais jovem, Amazonino inaugurou um estilo de campanha que facilitava muito a vida dos jornalistas que o assessoravam – repórteres, fotógrafos e cinegrafistas –, pois a cada compromisso de campanha, o candidato gerava um fato.

Quando era governador e lançou o primeiro projeto de casas populares na Zona Leste de Manaus, Amazonino foi no canteiro de obras e passou a pregar tábuas junto com os operários. Como ficou com a camisa ensopada de suor, nasceu aí o slogan da administração – “Suando a camisa com você”.

Imagem que rendeu o slogan “Suando a camisa com você”

Certa vez, em 1992, quando disputava a prefeitura contra José Dutra (lançado por Arthur Virgílio, com o apoio do então governador Gilberto Mestrinho), Amazonino interrompeu uma partida de futebol no campo da Cidade Nova e resolveu disputar pênaltis com os peladeiros. Foi uma festa. O candidato fez algumas cobranças e defendeu algumas bolas, provocando risos e gritos de euforia da torcida.

Em 1992 Amazonino defende até pênalti na Cidade Nova

Em outro momento, o candidato passou perto de um botequim onde a turma do bairro assava Matrinchã em uma churrasqueira improvisada no chão com dois tijolos. Ele chegou, bateu um papo com a moçada, contou e ouviu piadas, tomou umas talagadas de pinga e comeu peixe com farinha com as mãos, como a galera fazia. “Eita! Esse é dos nossos!”, entusiasmaram-se os rapazes.

Almoço junto com a população nos bairros de Manaus

Foi o próprio Amazonino que passou a chamar a si próprio de “Negão”. “Se eles não resolveram, deixem com o Negão aqui que ele resolve”, dizia. E assim o apelido de Negão pegou.

Outras vezes, tirava alguma eleitora para dançar forró. De certa feita, quando prefeito, inaugurava um Centro Social Urbano e, inesperadamente, pulou na piscina, sendo acompanhado por Eduardo Braga, Alfredo Nascimento e todos os políticos que estavam presentes. “Se o chefe mergulhou, fica ruim a gente não mergulhar também. O povão se empolgou e o “caldo” da piscina engrossou, virando o maior lamaçal.

Amazonino e Braga tomando banho com moradores

Quando era candidato ao segundo mandato de governador (1995), aportamos em Manicoré, com o povo todo na rampa esperando o desembarque do Negão. Eram mais ou menos 16 horas. O céu estava cinzento e as nuvens carregadas. O povo na maior ansiedade e Amazonino fumava, contemplativo, olhando o quadro, sem sair do lugar. Cheguei perto e questionei

— O senhor não vai descer:

Ele não respondeu nada. Quando a chuva começou a cair em pingos grossos e gelados, o Negão olhou para mim, abriu o sorriso e disse:

— Agora eu vou fazer politica – e caiu nos braços do povo, ensopado pelo toró.

Era trabalhoso e ao mesmo tempo divertido cobrir o Amazonino. Ao menos não existia a mesmice e a pauta, quase sempre, virava uma festa de bons discursos, gestos populistas e bom humor.

Fotos: Acervo/Mário Adolfo

Mário Adolfo Filho

Mário Adolfo Filho

Jornalista, formado pela Universidade Federal do Amazonas. Com passagem por grandes jornais de Manaus, Prefeitura de Manaus, Câmara Municipal de Manaus e Câmara dos Deputados.