BLOG DO MÁRIO ADOLFO
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Crítica: Homem-Aranha no Aranhaverso – Por Cine Set


Não existe super-herói como o Homem-Aranha, e também não existe filme de super-herói como Homem-Aranha no Aranhaverso. O primeiro longa-metragem animado do personagem, produzido pelo estúdio Sony e pelos produtores de Anjos da Lei e Uma Aventura Lego, consegue ser ao mesmo tempo uma história em quadrinhos filmada, uma homenagem ao conceito de super-herói, uma animação de qualidade impressionante e uma bela história sobre amadurecimento e passagem. E tudo isso só é possível por causa do Aranha.

A trama mistura referências dos quadrinhos, dos filmes anteriores – há até uma citação hilária à dancinha embaraçosa de Homem-Aranha 3 (2007) – e dos desenhos animados do herói, numa narrativa que usa a metalinguagem com inteligência e carinho. O herói do filme é o jovem Miles Morales, fã do Homem-Aranha e que um dia é picado por uma aranha modificada, igual como aconteceu com o seu ídolo. Quando um plano do vilão Rei do Crime causa uma tragédia em Nova York e abre portas para outras dimensões, Miles se vê forçado a se tornar herói e salvar a cidade, acompanhado de outras versões do Homem-Aranha vindas de outros universos: a versão tradicional, um pouquinho mais calejada; a Mulher-Aranha; o Aranha Noir; a versão nipônica e até o Porco-Aranha.

O filme é movimentado, divertido, cheio de referências para quem conhece o herói a fundo desde as HQs, mas acima de tudo possui um coração e conta uma história emocionante – até o plano do vilão possui um fundamento emocional e um núcleo trágico que ajuda o filme a adquirir uma força que nem sempre percebemos em filmes animados. Há também uma participação especial singela do Stan Lee… E a animação impressiona pela riqueza e quantidade de detalhes: Em algumas cenas podemos até ver retículas e pontos na imagem, como as que vemos em revistas em quadrinhos. As sequencias de ação são altamente dinâmicas, as cores, exuberantes, onomatopeias aparecem e as recapitulações na história a cada entrada de um novo Homem-Aranha são divertidas e ajudam a equilibrar a exposição com humor.

2018 foi um ano triste para o Homem-Aranha, pois seus dois criadores se foram: o desenhista Steve Ditko e o inigualável Stan Lee faleceram em pouco menos de seis meses de diferença um do outro.  Em meio à tristeza, Homem-Aranha no Aranhaverso se configura como um verdadeiro presente para o personagem e seus inúmeros fãs no mundo todo, e a dedicatória a ambos no final do filme demonstra isso. O Aranha é especial por ser muito humano e por tocar no heroísmo dentro de todos nós. Por nunca perder de vista essa ideia, Homem-Aranha no Aranhaverso diverte, emociona e pode se tornar um marco nas animações e já é de cara o segundo melhor momento do herói nas telonas – só atrás do clássico Homem-Aranha 2 (2004). Mas não muito atrás…

Mário Adolfo Filho

Mário Adolfo Filho

Jornalista, formado pela Universidade Federal do Amazonas. Com passagem por grandes jornais de Manaus, Prefeitura de Manaus, Câmara Municipal de Manaus e Câmara dos Deputados.